A Comissão Europeia apresentou, em julho de 2025, uma proposta do Quadro Financeiro Plurianual para o período 2028 – 2034.
A 16 de julho de 2025, a Comissão apresentou a Proposta do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para o período 2028 a 2034, no valor de quase 2 biliões de euros, representando um crescimento de cerca de 65% face ao último QFP, e correspondendo a 1,26% do Rendimento Nacional Bruto Médio da UE. A CONSULAI apresenta um resumo, simples e direto, sobre o que esta proposta (ou o que se conhece dela, nesta fase) muda, ou pode vir a mudar, na Política Agrícola Comum, e o que se pode antever de impactos para Portugal.
O Essencial do Novo Quadro Financeiro Plurianual
- Nova arquitetura: fundos geridos pelos Estados‑Membros passam a ser integrados num só instrumento — Planos de Parceria Nacionais e Regionais — juntando a Coesão, o Fundo Social Europeu e a Agricultura numa mesma estratégia.
- Segundo a Comissão, a PAC continua “no centro” destes planos, com regras mais simples, controlos mais leves e pagamentos mais ágeis, mas, na verdade, a PAC, que representava cerca de 30% do orçamento comunitário (e a Coesão um peso idêntico), passa a integrar um Fundo único (Coesão, PAC e outros) que representa cerca de 45% (ou seja, no conjunto passam de cerca de 60% do orçamento comunitário para 45%).
- Prioridades novas que impactam a agricultura: Fundo Europeu de Competitividade (indústria limpa, bioeconomia, agro‑tech) e reforço da preparação para crises.
Números da PAC na Proposta
- 865 mil M€ para os Planos de Parceria (que incluem a agricultura, mas também a coesão e outros).
- 300 mil M€ “ring‑fenced” (verba reservada) para apoio ao rendimento dos agricultores.
- Rede de Segurança (“Unity Safety Net”): 900 M€/ano para responder a crises setoriais. Além disso, mantém‑se uma reserva agrícola para estabilizar mercados quando necessário.
- Convergência por hectare: introduz mínimos e máximos de valores por ha para tornar os pagamentos mais uniformes entre países (uma evolução da “convergência externa”).
Como Fica Portugal Face às Informações Conhecidas?
- Envelope nacional “de parceria”: Portugal surge com 33,5 mil M€ (a valores correntes) para o conjunto do Plano de Parceria 2028‑2034, dos quais 31,6 mil M€ do “bolo geral” (onde está a agricultura), 0,9 mil M€ para migrações/segurança e 0,9 mil M€ para o Fundo Social para o Clima.
- Os pagamentos diretos terão regras de mínimo/máximo por ha que podem favorecer países abaixo da média — onde Portugal se encontra.
- Há uma redução efetiva do apoio anual da PAC para Portugal, pois a média anual baixa de 1,22 mil M€ (2023‑27) para 1,06 mil M€ (2028‑34), o que representa uma perda de cerca de 13% em termos nominais, agravada pela inflação prevista.
Mudanças de Desenho da PAC que Interessam a Portugal
- É criado um “pacote inicial” para Jovens Agricultores, que inclui apoio à instalação, majorações de investimento, apoio ao rendimento jovem e aconselhamento.
- Medidas de gestão de risco, com reforço e elegibilidade clara de seguros e instrumentos setoriais.
- Apoios ligados mantidos para setores com dificuldades específicas.
- Investimento e transição: foco em resiliência hídrica, fertilidade e saúde dos solos, energia renovável na exploração agrícola, digitalização e difusão rápida da inovação (AKIS nacional).
- O LEADER continua com enfoque em territórios rurais.
- Simplificação administrativa: regras únicas para a PAC e pagamentos mais lineares nos Planos de Parceria.
Pontos de Discussão Futura com Impacto para o Setor em Portugal
- Independência dos fundos agrícolas no conjunto do orçamento comunitário.
- Quantificação do envelope PAC dentro do Plano de Parceria.
- Convergência externa €/ha: precisar onde fica o teto proposto vs. o nível médio de Portugal, para aferir ganhos/perdas.
- Reserva / Rede de Segurança: como aceder rapidamente em casos de secas, incêndios ou problemas de mercado — chave para a nossa localização periférica e mediterrânica (e atlântica).
- Sinergias com o novo Fundo de Competitividade e com o Horizonte Europa para escala tecnológica (bioeconomia, agro‑digital, mecanização inteligente).
- Atualização dos valores dos apoios: temos assistido a uma redução em termos reais do apoio ao setor agrícola (pela inflação), estimada em 20% a 30% desde 2021, em preços constantes. É um debate fundamental.
- Governança do Plano de Parceria: garantir a voz do setor e transparência.
A reforma da PAC 2028‑2034 traz simplificação, mas também escolhas exigentes. O desafio está lançado e exige diálogo, transparência e capacidade de decisão estratégica. A CONSULAI está aqui para ajudar a descomplicar a mensagem, apoiar produtores e organizações a navegar este novo quadro, e propor melhorias que reforcem a competitividade e a sustentabilidade de todo o setor agrícola e rural do país.