A história da sustentabilidade na agricultura escreve-se de forma muito próxima com o setor dos vinhos… tem sido assim há pelo menos 20 anos a esta parte. A OIV (Organização Internacional do Vinho e da Vinha) foi pioneira neste processo, tendo lançado em 2011 um documento para o cálculo da pegada de carbono do vinho. A este respeito a CONSULAI em 2014 também deixou a sua pegada quando determinou e preparou a certificação daquele que ficou conhecido como sendo o primeiro vinho em Portugal a obter a certificação PAS 2050: 2011 com o vinho “Imaginem” criado na Herdade da Mingorra.
Existem muitos outros exemplos que relacionam a vitivinicultura e a sustentabilidade em Portugal e lá fora, nomeadamente nos chamados Países do Novo Mundo, como a Argentina, Chile, Nova Zelândia e Estados Unidos da América (EUA). É precisamente dos Estados Unidos que se desenvolveu um dos primeiros referenciais de Sustentabilidade do setor (2003), e talvez, à data o mais conhecido e popular, o “California Sustainable Winegrowing Alliance“. Este referencial, tem servido de inspiração a muitos outros referenciais nacionais e regionais, como aconteceu com o PSVA (Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo) da responsabilidade da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, que desde 2013 tem contribuído na diferenciação positiva dos vinhos alentejanos tanto em Portugal como noutros mercados, nomeadamente nos monopólios do norte da Europa.
A criação de um referencial nacional específico para o setor é o desenrolar natural desta história. A apresentação que decorreu no dia 23 de novembro de 2023, surge como resposta às crescentes exigências dos mercados internacionais, com metas abrangentes ao nível nacional, credíveis, simples, mas simultaneamente acessíveis a todas as organizações do setor vitivinícola nacional, independentemente da sua dimensão e peso económico.
Segundo Frederico Falcão, Presidente da VINIPORTUGAL, a entidade gestora, “este referencial é extremamente importante para o setor, pois a certificação em sustentabilidade está a deixar de ser uma questão de posicionamento distintivo, passando a ser uma questão de acesso aos mercados.
Acredito que muito em breve alguns mercados, principalmente os nórdicos, mas não só, passarão a exigir certificação em sustentabilidade. É por isso essencial que Portugal tenha um Referencial único, nacional, promovido pela VINIPORTUGAL pelos vários mercados mundiais, de forma a permitir que os nossos vinhos não fiquem de fora dos vários mercados onde querem competir”.
O referencial foi desenvolvido sob a responsabilidade do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) com o apoio da CONSULAI, em colaboração com várias entidades representativas do setor vitivinícola, como produtores, associações e empresas.
O principal objetivo deste referencial é promover a produção de vinho de forma sustentável, respeitando o ambiente, valorizando o produto final e reforçando o papel das comunidades locais.
Existe um referencial de sustentabilidade para o setor vitivinícola Nacional produção de vinho de forma sustentável, respeitando o meio ambiente e valorizando o produto final e as comunidades locais. Para se obter a certificação é necessário percorrer cerca de 86 indicadores, que podem variar entre aplicáveis, não aplicáveis, indicadores KO e não KO (exclusão). A certificação pode ser requerida pelos vários agentes que produzem e trabalham com a transformação da uva, nomeadamente, destilados, vinagres vínicos e naturalmente, qualquer tipo de vinho, mesmo aqueles que não têm denominação de origem.
Os indicadores estabelecidos pelo referencial incluem diversas áreas, como gestão da vinha e do solo, gestão da água, uso de produtos químicos, conservação da biodiversidade, gestão de resíduos, entre outros. Cada área é avaliada com base em indicadores específicos, que medem o desempenho do produtor em relação a esses critérios.
A certificação é voluntária e pode ser obtida por produtores de vinho de todas as regiões de Portugal. A certificação é concedida por uma entidade certificadora independente, que avalia o desempenho do produtor de acordo com os critérios e indicadores estabelecidos pelo referencial. Além de promover a produção sustentável de vinho, o referencial também visa promover a transparência e a confiança dos consumidores nos produtos vitivinícolas portugueses. Ao optar por um vinho certificado, o consumidor tem a garantia de que o produto foi produzido de forma sustentável e responsável.
Durante o processo de criação deste referencial, a CONSULAI teve oportunidade de estudar os principais programas de sustentabilidade mundiais e o privilégio de contactar com inúmeros produtores e agentes do setor interessados em implementar este esquema novo de certificação. Com a apresentação do referencial e o reconhecimento das entidades certificadoras, inicia-se uma nova e importante etapa onde o conhecimento e experiência acumulada da CONSULAI, pode ser útil para acelerar a implementação dos indicadores e requisitos necessários para ir ao encontro do referencial.
O Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade do Setor Vitivinícola é uma iniciativa importante para promover a sustentabilidade no setor vitivinícola português, valorizando a produção responsável e a transparência com os consumidores.