CONSULAI

Artigo
1 de Março de 2025

A due diligence agronómica é a análise técnica que antecede o investimento

Pompeu Pais Dias

A tomada de decisão no momento de investir em ativos agrícolas e/ou agroindustriais exige um conhecimento aprofundado dos fatores que podem influenciar a viabilidade e a rentabilidade de um projeto. Na CONSULAI, a área de Estudos e Estratégia desempenha um papel crucial na realização de due diligences agrícolas, assegurando que os nossos clientes dispõem de informação rigorosa e atualizada para suportar as suas decisões.

A equipa responsável pela elaboração de due diligences possui competências multidisciplinares e é composta por consultores com experiência em diversas áreas do setor agrícola. Combinamos a modelação climática, topográfica e edáfica com a análise de mercados agrícolas, conhecimento agronómico aprofundado e mais de 20 anos de experiência no setor. Esta diversidade permite-nos abordar cada projeto de forma holística, identificando oportunidades e desafios de maneira objetiva e fundamentada.

Tipicamente, uma due diligence agronómica elaborada pela CONSULAI segue quatro grandes etapas.

Desk research e enquadramento

De forma a enquadrar todos os ativos em estudo, realizamos uma análise exaustiva do contexto geográfico, topográfico, climático e das condicionantes territoriais.

Utilizamos ferramentas de deteção remota para avaliar indicadores agronómicos, como o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) (Normalized Difference Vegetation Index), permitindo uma primeira leitura sobre a uniformidade da vegetação e o vigor das culturas em meses críticos do seu ciclo.

Nesta fase, são também estudados os requerimentos e a disponibilidade de água. Validamos essa disponibilidade através do estudo dos diferentes regimes de acesso à água em que as parcelas se inserem. Nos casos em que as parcelas não se encontrem dentro de perímetro de rega, pode ser realizado um estudo hídrico da propriedade. Avaliamos também se a disponibilidade existente cobre as necessidades hídricas das culturas instaladas ou a instalar.

Como referido anteriormente, um dos aspetos fundamentais avaliados nesta fase são as condicionantes territoriais, como Reserva Ecológica Nacional (REN), Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Zona de Proteção Especial (ZPE), bem como o levantamento das autorizações e licenças necessárias para a correta instalação do projeto agrícola ou agroindustrial. Neste conjunto incluem-se também as licenças do domínio hídrico.

Para além do enquadramento das parcelas, esta fase tem como principal objetivo apoiar a etapa seguinte: a visita de campo.

Visitas de campo

A visita presencial continua a desempenhar um papel fundamental na análise de ativos agrícolas. Estas visitas permitem validar e aprofundar os dados recolhidos na primeira fase.

Durante a visita, analisamos a correta instalação das culturas e o seu estado fitossanitário, avaliamos pontos críticos, como más drenagens ou potenciais focos de doenças, e verificamos a gestão operacional das culturas. Como apoio ao nosso trabalho, recolhemos, quando necessário, amostras de solo para análise laboratorial e registamos imagens detalhadas com recurso a drone. Tipicamente, inspecionamos também as infraestruturas, os equipamentos de rega e a maquinaria existentes. Esta informação permite detetar ameaças ou desafios na parcela.

Para além da inspeção do ativo, a visita presencial é também uma oportunidade para avaliar a operação. Nesta fase, os responsáveis operacionais são entrevistados de forma informal, permitindo recolher informação sobre os principais desafios da atividade, as mais-valias existentes e a capacidade técnica instalada.

Análise crítica e avaliação de riscos

A etapa seguinte consiste na interpretação aprofundada dos dados recolhidos, permitindo uma avaliação objetiva das condições agronómicas e produtivas da propriedade. Nesta fase, cruzamos informação sobre produtividade histórica, condições sanitárias e edafoclimáticas atuais, tendências de mercado e fatores de risco que possam impactar a legalidade e a rentabilidade do negócio.

Desta forma, conseguimos estimar a viabilidade agronómica e financeira da propriedade, destacando não só os aspetos positivos, mas também eventuais ameaças, como degradação do solo, riscos climáticos, riscos legais ou escassez de recursos hídricos.

Acompanhamento e apoio na decisão

Com base na análise realizada, fornecemos uma avaliação de sensibilidade fundamentada sobre a viabilidade do investimento. Esta fase é crucial para que os investidores possam tomar uma decisão informada e alicerçada na realidade técnica, produtiva e económica do ativo.

O nosso papel não se limita à entrega do relatório técnico. Estamos também presentes nos momentos de decisão estratégica, acompanhando os clientes nas fases de negociação e ajudando a estruturar o investimento com base em dados sólidos e objetivos.

Experiência em due diligences

  • Olival: mais de 15 000 hectares analisados.

  • Amendoal: mais de 3 500 hectares analisados.

  • Greenfield: mais de 20 000 hectares analisados.