Quando Manuel Falcão decidiu revitalizar a Quinta das Pedralvas, uma propriedade centenária produtora de cereja em Alcongosta, no Fundão, encontrou um desafio significativo: 40 hectares ainda com árvores antigas e um sistema produtivo obsoleto. Para garantir um futuro sustentável e competitivo para a quinta, iniciou uma colaboração com a CONSULT, com o objetivo de identificar os melhores modelos produtivos para a cultura da cereja.
O projeto iniciou-se com a discussão dos cenários a considerar. Ao contrário de outros projetos, em que avaliamos diferentes opções culturais, este trabalho centrou-se exclusivamente na cereja, analisando a viabilidade económica de distintos modelos produtivos. Foram avaliados os custos de investimento para sistemas mais ou menos densos, com diferentes modos de condução e possibilidade de utilização de coberturas.
A primeira fase deste plano começou a dar frutos, com a instalação dos primeiros hectares de cerejal recentemente concluída. Este é um marco importante no projeto, assinalando o início de uma nova era produtiva para a Quinta das Pedralvas.
Este processo foi dinâmico e enriquecedor, culminando numa visita técnica à Universidade de Bolonha, em Itália.
In this interview, Manuel Falcão explica como o serviço Opções Agrícolas Yes CONSULT apoiou a definição do novo modelo produtivo da Quinta das Pedralvas, desde a análise de cenários até à seleção de variedades e ao planeamento faseado do investimento.
Esta experiência permitiu aprofundar o conhecimento sobre práticas produtivas e operacionais inovadoras, bem como compreender o trabalho em curso no desenvolvimento de novas variedades de cereja.
Como descreve a experiência de trabalhar com o serviço “Opções Agrícolas” da CONSULAI?
Foi uma experiência que evoluiu positivamente ao longo do projeto. De uma fase inicial bastante generalista, em que estudámos várias culturas possíveis, fomos particularizando numa cultura avaliada de forma detalhada. Foi a process de aprendizagem conjunta numa nova cultura para a CONSULT e para mim, que nos permitiu estudar em detalhe a cultura da cereja e os seus impactos.
Que desafios enfrentava antes de recorrer ao nosso serviço e como este o ajudou a ultrapassá-los?
O principal desafio era o desconhecimento da área agrícola, pela falta de experiência/conhecimento da minha parte e da cultura da cereja em particular, pela dificuldade em encontrar informação disponível sobre a mesma.
Em que medida a análise dos cenários fornecidos influenciou a sua decisão sobre os sistemas culturais a instalar?
No nosso caso, mais do que ter influenciado a decisão, a análise permitiu confirmar a viabilidade económica da nossa vontade de apostar na cereja, quer pela história da Quinta das Pedralvas, produtora de cereja há mais de 100 anos, quer pela região onde se encontra, o Fundão.
Quais foram os principais fatores que considerou na escolha dos sistemas culturais recomendados?
Em primeiro lugar, a adaptação da cultura às características edafoclimáticas da região. Em segundo lugar, a oportunidade existente em termos de procura, quer no mercado nacional, quer na vertente de exportação. Por último, o potencial retorno do investimento, bem como a sua sensibilidade à alteração de condições relativas a algumas variáveis relevantes, como o preço de venda por quilo de cereja.
Sentiu que as recomendações fornecidas estavam alinhadas com as condições reais da sua exploração?
O estudo foi precedido de uma visita detalhada ao local e de uma análise bastante aprofundada das suas condicionantes, quer em termos de solos, clima e disponibilidade de água, quer da infraestrutura existente. Desta forma, as recomendações estavam bastante alinhadas com a nossa realidade.
Houve alguma sugestão do nosso serviço que o surpreendeu ou que não tinha considerado anteriormente?
O estudo apresentou várias vertentes que, acima de tudo, me alertaram para a diversidade e complexidade das opções que tinha de fazer. Foram muito positivas as entrevistas realizadas junto de produtores de referência, que permitiram obter insights de grande valor para as opções em análise. A visita a produtores de referência em Itália também permitiu enriquecer o projeto com o melhor que se faz na cultura e possibilitou uma seleção cuidada das variedades a plantar.
Como avalia a clareza e a utilidade dos dados e relatórios fornecidos pela nossa equipa?
Foram dois relatórios melhorados em trabalho comum e enriquecidos com bastante pesquisa de campo, nomeadamente através de entrevistas de campo.
Que expetativas tem em relação aos impactos económicos e produtivos das decisões tomadas com base na nossa análise?
A expetativa é que os cenários desenvolvidos se confirmem, nomeadamente em termos de produtividade e retorno expetável. O projeto foi dividido em três fases, estando neste momento implementada a primeira, que se espera que, em três anos, possa resultar numa produção de 100 toneladas de cereja de elevados calibres por ano. Nas fases seguintes, esta capacidade será triplicada.
Recomendaria o nosso serviço a outros produtores ou empresas agrícolas? Porquê?
A atividade agrícola apresenta um elevado risco, quer pelo investimento elevado envolvido, quer pela demora em entrar em produção, no caso da cereja, entre três e five years, , quer pelo risco associado às alterações climáticas e às alterações dos hábitos de consumo. Acredito que uma preparação adequada de a project nesta área é a melhor forma de minimizar erros com impacto económico relevante.
Que melhorias ou sugestões teria para que o serviço “Opções Agrícolas” fosse ainda mais útil no futuro?
Penso que aprofundaria ainda mais a procura de melhores práticas internacionais, explorando a relação com organizações de produtores de outras regiões.