CONSULAI

Artigo
1 de Março de 2024

O que preocupa os empresários agrícolas, agroindustriais e florestais

No âmbito da CONSULAI 360 2024, foi lançado um inquérito aos principais empresários agrícolas, agroindustriais e florestais em Portugal. Este inquérito teve como objetivo aferir a opinião destes empresários relativamente a temas críticos para os negócios em que operam. O inquérito contou com a adesão de 50 personalidades, das quais 60% operam no setor agrícola, 27% no agroindustrial e 12% no florestal.

Os empresários procuraram, através deste inquérito, transmitir o seu papel abrangente, estruturante e estratégico na economia, na sociedade e no ambiente, sublinhar a necessidade de estabilidade política, reforçar a qualidade e segurança dos produtos que colocam no mercado e apelar ao consumo consciente, local e nacional.

Burocracia e carga fiscal são os principais riscos identificados

  • Cerca de 50% dos inquiridos considera a burocracia e a carga fiscal como os principais riscos para as suas organizações.

  • A concorrência desleal extracomunitária foi colocada por 40% dos inquiridos entre os três principais riscos enfrentados pela sua organização.

  • A disponibilidade de recursos materiais e humanos foi posicionada por 20% dos inquiridos entre os três principais riscos.

  • A captação de talento e a instabilidade política foram os riscos menos priorizados, sendo colocados entre os três menos relevantes por cerca de 40% dos inquiridos.

Inquiridos querem alterações nas políticas comunitárias e fiscais

  • Cerca de 80% dos inquiridos coloca no topo das prioridades setoriais a alteração das políticas comunitárias.

  • As políticas fiscais associadas ao investimento, ao custo do trabalho e ao rendimento são apontadas por cerca de 50% dos inquiridos como prioridades de alteração setorial.

  • Cerca de 40% dos inquiridos atribuiu algum grau de prioridade a alterações nas áreas da inovação tecnológica e dos mercados de carbono.

Investimentos em inovação e desenvolvimento mantêm-se

Em média, os inquiridos afirmaram alocar 10% do seu orçamento de 2024 a inovação e desenvolvimento. Quando comparado com o orçamento do ano anterior, 70% dos inquiridos afirmou que o valor alocado a inovação e desenvolvimento se manteve ou diminuiu.

Relativamente à fonte do investimento em inovação e desenvolvimento, 44% dos inquiridos afirma que parte provém de programas de financiamento nacionais ou europeus, como o Acordo de Parceria Portugal 2030 (Portugal 2030), o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou o Horizonte Europa.

Mudança de enquadramento político despoleta maiores investimentos nas organizações

Uma maioria de 62% dos inquiridos afirma que a mudança de enquadramento político vivida em 2024 despoleta maiores investimentos nas suas organizações.

Candidaturas a linhas de financiamento públicas são uma opção

Em 2024, 62% dos inquiridos afirma querer candidatar-se a uma linha de financiamento público, como o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) 2023-2027 ou o Portugal 2030. Outros 34% afirmam ainda não ter tomado essa decisão.

Comunicar o setor e o modo de produção acima da organização

Metade dos inquiridos considera prioritária a comunicação do setor e do seu modo de produção, enquanto apenas 30% aponta como prioritária a comunicação da sua própria organização. Numa escala de zero a cinco, a relevância da comunicação das organizações obteve uma média de 3,7, enquanto a comunicação do setor e do modo de produção atingiu 4,2.