A agenda mobilizadora Tec4Green reúne empresas e entidades de investigação para desenvolver soluções de economia circular, digitalização e valorização de subprodutos dirigidas ao setor agroalimentar e florestal.
Nesta entrevista, o Eng.º Josué Clemente, da Ascenza e coordenador da Tec4Green, apresenta a visão estratégica da agenda, os resultados já alcançados e o impacto esperado na competitividade e sustentabilidade do setor.
Qual é a visão estratégica da agenda Tec4Green e de que forma pretende transformar o setor agroalimentar e florestal em Portugal?
O principal objetivo da agenda é expandir a cadeia de valor do setor primário, promovendo uma maior incorporação de produtos e serviços produzidos em Portugal nos processos produtivos. As atividades ligadas à economia circular, como o aproveitamento de subprodutos agrícolas e de outras origens, a valorização da retenção de CO₂ agroflorestal no mercado de carbono e o desenvolvimento de novas soluções, contribuem para acelerar a profunda transformação que a agricultura nacional vem protagonizando.
Existem resultados ou desenvolvimentos que possa destacar? Como podem impactar a sustentabilidade e a competitividade das empresas envolvidas e do setor como um todo?
A forte colaboração entre entidades de investigação e empresas permitiu avançar no desenvolvimento de novos serviços e produtos, diversificando o portfólio das empresas envolvidas. Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se a validação de tecnologias de valorização de subprodutos e o desenvolvimento de novos produtos nas áreas da nutrição e da proteção de plantas. Na componente de digitalização, foram desenvolvidos serviços que permitem monitorizar a retenção de CO₂ em parcelas agroflorestais e um sistema de agricultura de precisão para avaliação de risco e apoio à decisão na proteção de plantas.
De que forma a coordenação e a gestão do consórcio têm sido fundamentais para o desenvolvimento da agenda? Quais são as principais lições retiradas deste trabalho colaborativo?
A coordenação de un proyecto desta dimensão, com diversas atividades e numerosos parceiros, é um desafio muito significativo, que vai para além da responsabilidade assumida na concretização dos resultados da agenda.
Na gestão das questões operacionais, a proximidade construída com os membros do consórcio facilitou a comunicação com o IAPMEI e ajudou a encontrar soluções para os constrangimentos que foram surgindo.
De facto, a aproximação a outras entidades é benéfica: a comunicação decorre de forma mais fluida e torna-se mais fácil identificar oportunidades de criação de valor. Admito como muito provável que, após a conclusão da agenda, venham a surgir outras iniciativas de colaboração entre membros do consórcio.
Que impacto espera que a agenda Tec4Green tenha no setor a longo prazo? Quais são os próximos passos para assegurar que as soluções desenvolvidas sejam efetivamente implementadas?
O impacto das atividades poderá ser significativo, considerando que os produtos e serviços em desenvolvimento têm como destino tanto o mercado nacional como a exportação. A experiência internacional de vários membros do consórcio facilita a entrada em mercados externos, ampliando o potencial de vendas. Além disso, a comercialização de serviços de base tecnológica não enfrenta as mesmas limitações logísticas da produção de bens físicos, permitindo uma expansão mais ágil no mercado global. Paralelamente, em linha com o objetivo das agendas de impulsionar a reindustrialização, está prevista a construção de duas unidades fabris dedicadas à produção de soluções para nutrição e proteção de culturas.