CONSULAI

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9 de septiembre de 2024

Quem são os novos donos da terra em Portugal

João Pedro Oliveira

Na mais recente comunicação produzida pela CONSULAI para aproximar os agricultores das pessoas que estes servem, adotámos o slogan: “A agricultura evoluiu, só você é que não viu”. No caso dos novos donos da terra, podemos também adotar um slogan: “O investimento agrícola evoluiu e toda a gente viu”.

De facto, e provavelmente com grande desagrado de alguns, a terra mudou de mãos, tendo sido adquirida por muitos investidores estrangeiros. Goste-se ou não, eles trouxeram dinamismo, evolução produtiva e uma mudança de paradigma que nos fizeram avançar em termos agrícolas.

Obviamente, nem tudo correu bem neste caminho, mas podemos afirmar que a grande maioria dos projetos se estabeleceu, criou raízes e gerou riqueza, não seguindo a lógica que muitos temiam do “usar e deitar fora”. Prova disso é que projetos com alguns anos de atividade estão agora a ser readquiridos por outros investidores, no sentido de perpetuar e, muitas vezes, alargar o sucesso dos mesmos. Diversas zonas de Portugal foram afetadas positivamente por este investimento externo, destacando-se a região do Sudoeste Alentejano com a criação de um importante cluster de produção de frutos vermelhos, a região de Alqueva com a evolução espetacular dos olivais em sebe e do amendoal, ou mesmo a região da Beira Interior, que estava adormecida em termos agrícolas, e que ganhou nova vida também com a cultura da amêndoa e do olival. Muitos destes investimentos trouxeram culturas inovadoras e modelos produtivos inovadores. Com o nosso engenho, adicionámos tecnologia, modelos de gestão de rega muito eficientes e sustentabilidade ambiental. Um bom exemplo disso é sermos, neste momento, reconhecidamente os melhores e mais eficientes produtores mundiais de olival em sebe, independentemente da “nacionalidade” do investimento.

Olhemos para este investimento como uma oportunidade e não como um problema, e zelemos para que se estabeleçam, criem valor e apontem caminhos para que a agricultura se modernize, crie riqueza e caminhe de mãos dadas com a sustentabilidade ambiental.

A terra é o maior capital que podemos ter e todos os agricultores têm a obrigação de a deixar melhor do que a receberam, para as gerações vindouras. Se este princípio for cumprido, então, independentemente da origem do investimento, estaremos no bom caminho.