CONSULAI

Notícia
1 de Março de 2023

O grupo operacional FD Controlo identificou os hospedeiros que mantêm viva a flavescência dourada

O grupo operacional FD Controlo, que decorreu entre 2018 e 2022 e do qual a CONSULAI foi parceira, estudou o papel dos hospedeiros alternativos na dispersão da flavescência dourada da vinha e das populações de scaphoideus titanus nas sub-regiões vitivinícolas do Cávado e do Lima. Os resultados obtidos confirmam a necessidade de manter medidas de monitorização e controlo da doença na região.

O principal objetivo do projeto FD Controlo foi aprofundar o conhecimento sobre a importância de hospedeiros alternativos, incluindo plantas, insetos e videiras abandonadas, na disseminação da flavescência dourada e do seu principal vetor, scaphoideus titanus.

Durante a execução do projeto, foram encontradas evidências de que scaphoideus titanus permanece na região. Os resultados indicam também que a presença de outros hospedeiros vegetais e de insetos infetados com o fitoplasma da flavescência dourada pode aumentar a probabilidade de reativação de focos de infeção e contribuir para a dispersão da doença sempre que o vetor principal esteja presente na mesma área.

O estudo identificou ainda a existência de insetos vetores secundários capazes de transmitir ocasionalmente a flavescência dourada à videira. Embora a sua capacidade de transmissão seja inferior à de scaphoideus titanus, estes insetos podem contribuir para o aparecimento de novos focos de infeção, sobretudo em vinhas com histórico da doença. Este risco pode ser agravado pela presença simultânea de scaphoideus titanus, responsável pela dispersão da doença entre videiras.

Os resultados destacam também a importância da eliminação de plantas hospedeiras localizadas na envolvente das vinhas, nomeadamente exemplares abandonados, plantas de ailanthus e clematis vitalba, sempre que presentes, como medida de contenção da flavescência dourada.

Com base nas conclusões alcançadas, o projeto recomenda a manutenção do estado de alerta por parte dos viticultores e dos serviços oficiais relativamente ao risco de propagação da doença através de scaphoideus titanus. A monitorização e controlo dos vetores, dentro e na envolvente das parcelas de vinha, bem como o arranque das videiras doentes, são apontados como medidas determinantes para limitar a disseminação da flavescência dourada na região. Acresce ainda a possibilidade de propagação da doença e do vetor para regiões vitivinícolas vizinhas.

O consórcio do projeto desenvolveu um conjunto de recomendações técnicas e o manual “Contributo para o conhecimento da epidemiologia da doença da flavescência dourada na região do Minho”, disponíveis para consulta.