Top 10 por cultura
A informação do Sistema de Identificação Parcelar (SIP), disponibilizada pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), é uma mais-valia para analisar a distribuição das culturas no território nacional. No entanto, estes dados dizem respeito apenas às áreas inscritas no portal do IFAP, pelo que podem diferir da área agrícola efetivamente existente. Ainda assim, em muitas culturas, os valores inscritos aproximam-se bastante da realidade produtiva.
De acordo com os dados analisados, as pastagens, considerando os diferentes tipos existentes, representam mais de 40% da área total inscrita.
O sobreiro para cortiça surge como a segunda ocupação com maior área inscrita, representando 9,76% do total.
O olival representa 8,66% da área inscrita, sendo que 43% desta área se encontra em regadio.
O regadio
Em Portugal continental, os distritos com maior área de regadio inscrita localizam-se sobretudo no Sul. Beja destaca-se com a maior área regada, atingindo 127 025 hectares, embora esta represente apenas 16,45% da área total inscrita no distrito.
-
Braga: 25 388 hectares de regadio, correspondentes a 67,46% da área inscrita.
-
Santarém: 49 066 hectares de regadio, correspondentes a 23,83% da área inscrita.
-
Évora: 46 167 hectares de regadio, correspondentes a 7,57% da área inscrita.
-
Setúbal: 25 440 hectares de regadio, correspondentes a 9,23% da área inscrita.
-
Portalegre: 33 569 hectares de regadio, correspondentes a 7,39% da área inscrita.
-
Beja: 127 025 hectares de regadio, correspondentes a 16,45% da área inscrita.
Entre as culturas em regadio, o olival destaca-se como a cultura com maior peso, seguido do milho, das pastagens permanentes, da vinha e do amendoal.
A área inscrita de fruteiras, excluindo frutos secos, representa 3,2% da área total de culturas inscritas, num total de cerca de 48 015 hectares. Laranja, maçã e pera concentram, em conjunto, 62% da área inscrita de fruteiras.
Regadio em Portugal e culturas frutícolas
As culturas hortícolas e horto-industriais representaram, em 2022, uma área inscrita de 83 475 hectares, equivalente a cerca de 5,5% da área total de culturas inscritas. Entre estas culturas, destacam-se o tomate, com 15 319 hectares, a ervilha, com 11 387 hectares, e o feijão, com 10 237 hectares.
A amêndoa representa 59 133 hectares inscritos no território continental. Bragança concentra 35% da área, sobretudo nos concelhos de Torre de Moncorvo, Mogadouro e Mirandela. Seguem-se Beja, com 29,6%, especialmente nos concelhos de Beja, Ferreira do Alentejo e Aljustrel, e Évora, com 11%, nos concelhos de Évora, Viana do Alentejo e Portel.
Nos distritos de Beja, Évora, Portalegre e Castelo Branco predomina o amendoal inscrito em regadio. Pelo contrário, em Bragança, Guarda e Vila Real domina o amendoal de sequeiro.
O olival representa 302 678 hectares inscritos no território continental. Beja é o distrito com maior expressão, com 35% da área, sobretudo nos concelhos de Serpa, Beja e Moura. Seguem-se Bragança, com 18,48%, nos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, e Portalegre, com 14,4%, nos concelhos de Avis, Elvas e Sousel. Beja apresenta também uma maior proporção de área de olival em regadio.
Culturas em detalhe
O milho registou, em 2022, uma área inscrita de 96 111 hectares no IFAP. Os distritos com maior destaque incluem Santarém, em particular os concelhos da Golegã, Coruche e Chamusca, que, em conjunto, representam 18,3% da área nacional inscrita de milho.
Em conjunto, estes dados mostram que a área agrícola inscrita em Portugal continental é marcada por uma forte presença de pastagens, sobreiro e olival, mas também por contrastes relevantes entre regadio e sequeiro. A leitura dos dados do IFAP permite identificar padrões territoriais importantes, embora deva ser sempre interpretada como uma aproximação à realidade agrícola efetiva.